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Orquídeas - Conhecer para cultivar...

Atualizado: 30 de ago. de 2020

Por Gilvan Serafim Filho¹.


Você é um apaixonado por orquídeas e não sabe por onde começar o cultivo? Não se preocupe, todo bom orquidófilo já foi um iniciante. A seguir, recomendações para escolher plantas ideais e cultivá-las bem!

 

Para cultivar orquídeas é necessário que você conheça algumas particularidades e inicie por plantas mais fáceis de lidar. Saber os principais cuidados e quais plantas pode ter é um grande diferencial. Cultivar orquídeas não é uma tarefa difícil, no entanto requer um pouco de atenção e cuidado, quanto mais conhecimento você adquire sobre o exemplar que possui, mais exuberante e bem florida sua planta será.


Sempre recomendável iniciar com poucas plantas, as comerciais são as mais indicadas (Phalaenopsis, Oncidium, Dendrobium, Vanda), são gêneros híbridos facilmente adquiridos nas redes de supermercados, por preços razoáveis.


Híbridos comerciais do gênero Phalaenopsis - Foto: Jairo Ribeiro/ASSOPE.


O que são gêneros híbridos de orquídeas?

Ao passar dos anos, muitas técnicas foram empregadas na propagação e comercialização de flores ornamentais, com as orquídeas não foi diferente. Hoje temos plantas que sofreram inúmeros cruzamentos entre espécies do mesmo gênero e de gêneros diferentes, com a intenção de se obter flores com verdadeiras explosões de cores e texturas, além de plantas mais resistentes às pragas e doenças, tornando o cultivo mais fácil.

Dá para cultivar orquídeas em casa e no apartamento, sejam elas epífitas (que se desenvolvem em troncos), ou terrestres, desde que forneça para as plantas, as condições abióticas (ambientais e de nutrição), de que precisam.


Adquirindo sua orquídea e cuidando da maneira correta:


Toda planta precisa de condições ideais para se desenvolver, temos que fornecer os macro e micronutrientes, seja de forma química (exata formulação dos elementos essenciais), ou orgânica (compostos naturais, com quantidades variáveis dos elementos), ainda, regas e locais com luminosidade, temperatura e ventilação adequados. Para entender melhor esses procedimentos, foram elaboradas recomendações para torná-lo um bom cultivador de orquídeas, ou mesmo um colecionador, e caso sua paixão aumente, querendo se tornar um orquidófilo, basta encontrar uma Associação Orquidófila mais perto de você e tornar-se um membro ativo, passando a participar das reuniões, cursos, palestras, colaborando com exposições e mostras, e se aperfeiçoando cada vez mais.


A seguir, seguem os links de algumas associações orquidófilas e também da Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil:



Faça parte de uma Associação Orquidófila!

Deixe desabrochar o orquidófilo que há em você!
 

Recomendações (Parte 01) - Escolha da planta para iniciar o cultivo/coleção:


Como já foi dito anteriormente, para os iniciantes no cultivo de orquídeas, recomenda-se as espécies comerciais, de valores mais acessíveis, caso o insucesso no cultivo aconteça, a perda financeira não terá grande impacto, orquídeas comerciais custam em torno dos R$ 50,00 a R$ 80,00 a depender do gênero, enquanto que plantas que atendem as exigências dos orquidófilos mais experientes, de maneira geral, podem ter valores bem mais impactantes no bolso. Um outro fator muito importante, é saber qual gênero comprar, dependendo de sua região, só verá florida uma única vez (período em que adquiriu), e nunca mais florescerá; isso acontece porque alguns gêneros são bastante influenciados pela altitude, temperatura e umidade relativa do ar, e como as orquídeas comerciais geralmente são produzidas em uma região e transportadas para outras, pode acontecer de adquirir uma planta exuberante e florida, tendo em vista ter sido transportada já em floração e em condições ideais (ambientes climatizados), e por incompatibilidade ambiental (fatores abióticos), a planta não desenvolve, regride e até morre, ou desenvolve apenas o vegetal (raízes, rizomas, pseudobulbos e folhas) e nunca floresce novamente. Os gêneros Phalaenopsis e Dendrobium são inicialmente recomendados por se adaptarem bem em diferentes ambientes.


Híbrido comercial do gênero Phalaenopsis - Foto e cultivo: Jairo Ribeiro/ASSOPE.

 

Recomendações (Parte 02) - Vaso adequado, tipo de substrato, reenvase e fixação:


As plantas são adquiridas floridas, geralmente em vasos de plásticos e em substratos pouco duráveis, no entanto, não é recomendável manusear a orquídea neste momento (reenvasar, dividir touceira, podar raízes), deixando para fazer assim que todas as flores caírem. No procedimento de reenvase, para plantas epífitas, o vaso de plástico não é o mais adequado, sendo utilizados os de cerâmica com furos nas paredes, facilmente encontrados em casas de jardinagem, o tamanho ideal é aquele no qual a planta fique confortável, nada de vaso muito grande ou muito pequeno. Se faz necessário uma limpeza na parte radicular (eliminando as raízes mortas), e todo o subtrato velho deve ser descartado, substituído por um mix (argila expandida, cascas de pinus, carvão e esfagno), numa quantidade que atenda a necessidade da planta e a altura do vaso, recomendado 1/4 de argila no fundo do vaso, seguido de 1/4 de esfagno e carvão, mais 2/4 de cascas de pinus, devidamente misturados. Após o condicionamento sob o substrato, a planta deve ser fixada, usa-se palitos de bambu, ou, aramadas (fixadas com arames) no suporte ou gancho do vaso. Se a orquídea for terrestre, o procedimento é praticamente o mesmo, só substituir as cascas de pinus por adubo orgânico do tipo floreira, dispensando o uso do esfagno e do vaso com furos nas paredes, como também a necessidade de fixar a planta com o auxílio dos palitos de bambu e/ou arames.


Vasos de cerâmica adequados, cascas de pinus, esfagno, esferas de argila expandida e carvão - Foto: Érika Santos e Gilvan Serafim Filho (Orquidófilos/ASSOPE).

 

Recomendações (Parte 03) - Onde deixar as orquídeas e os cuidados com as regas:


As orquídeas precisam de um ambiente que favoreça condições ideais de luminosidade (deixe as suas plantas em locais em que possam receber luz do sol pela manhã ou no final da tarde); temperatura (evite locais que aqueçam muito ao longo do dia); umidade (em horários mais quentes, deixar um recipiente com água próximo das orquídeas ajuda a tornar o ambiente menos seco); e ventilação (favoreça ambientes arejados, com boa circulação de ar, porém evite ventos fortes, podem danificar as plantas) - tais condições variam de espécie para espécie e por essa razão, é necessário entender que dependendo do ambiente que dispõe (casa ou apartamento), nem sempre dará para cultivar plantas com exigências mais específicas (a menos que queira ter um enorme trabalho, alguns orquidófilos mais experientes adoram esses desafios), ou que seja construído uma estrutura (orquidário) que atenda as necessidades e especificidades das espécies que pretende, e ainda assim, podem haver questões que impeçam o bom desenvolvimento e floração. No entanto, entendendo o ambiente e as variáveis que possui, dá para cultivar bem uma grande variedade de plantas, sejam elas epífitas ou terrestres. A rega é um outro fator importante, parece complexo, mas fácil de sistematizar, a quantidade e a frequência das regas fazem total diferença, evita desidratação e mantém o coeficiente hídrico (total de água nos tecidos), das raízes, rizomas, pseudobulbos, folhas e inflorescências. Jamais coloque pratos com água debaixo do vaso, as raízes podem apodrecer. As regas podem acontecer de três a quatro vezes por semana, de forma que molhe bem toda a planta e a água escorra totalmente; os horários mais indicados são as primeiras horas da manhã ou final da tarde, nunca sob o sol ou em horários mais quentes. Regas diárias vão depender de muitos fatores, tais como: umidade relativa do ar, temperatura ambiente e condições da planta, portanto, é sempre bom dá aquela olhadinha no substrato e nas condições gerais das suas orquídeas em relação a necessidade das regas acontecerem em menor ou maior espaço de tempo.


Híbrido do gênero Cattleya - Rinco Cattleya nobiles Bruno Bruno (Após rega).

Foto e cultivo: Orquidário EDS Mattos.

 

Recomendações (Parte 04) - Manutenção, nutrição, crescimento e floração:


O ponta pé inicial da manutenção já foi dado quando você se propôs a fornecer a sua orquídea, as condições ambientais para o seu desenvolvimento, mas não para por aí, a planta como todo ser vivo, precisa dos nutrientes que contribuem com um bom desenvolvimento e consequentemente uma boa floração. São 16 elementos químicos (em breve, uma matéria a respeito), os macronutrientes primários (nitrogênio, fósforo, potássio) e os secundários (cálcio, enxofre, manganês), ainda, os micronutrientes (boro, cobre, cloro, ferro, magnésio, molibdênio, zinco), além do carbono, hidrogênio e oxigênio, que devem ser fornecidos às orquídeas, sejam de forma química (formulação mais exata), ou orgânica (sem controle em relação a quantidade e formulação), todos eles tem um importante papel no desenvolvimento das plantas, desempenham funções essenciais e a deficiência de um deles prejudica desde o fornecimento de energia, crescimento da planta e das raízes, floração, até a síntese, metabolismo e quebra de moléculas necessárias à fotossíntese.


Existe uma variedade de produtos específicos pra o cultivo de orquídeas, algumas marcas são mais recomendadas que outras, destaco a linha FORTH Orquídeas (manutenção, crescimento e floração), outra linha muito elogiada é B&G Orquídeas, utilizados conforme orientação dos fabricantes, ou em doses homeopáticas, diluídos em água e com uso de um pulverizador, aplica-se nas plantas, molhando folhas, pseudobulbos e substratos de forma rápida e sem excesso, numa frequência quinzenal (há quem aplique semanalmente, ver recomendações); na época de floração, é recomendado evitar molhar as flores e inflorescências em formação, o contato com os fertilizantes podem causar queimaduras químicas, comprometendo o desenvolvimento dos botões em flores.


Se uma planta vai bem em um determinado cultivo, seja numa estaca, vaso com substrato ou no solo (orquídea terrestre), o recomendado é não mexer, a menos que seja para adubação ou reenvase, este último pode acontecer logo quando adquirimos plantas que não estão em vasos adequados, como os de plástico por exemplo; ou quando observados os sinais que preanunciam a necessidade, tais como: entouceiramento da planta, falta de espaço para o crescimento de novas raízes, degradação natural do substrato e em alguns casos, quando há infestações de pragas e/ou doenças.


Plantas adquiridas em orquidário comercial, sendo reenvasadas em vasos, substratos e suportes adequados - Foto e procedimento: Gilvan Serafim Filho/ASSOPE.

 

Após o procedimento de reenvase, o ideal é que a planta receba estimulação para produzir novas raízes (geralmente as raízes velhas são eliminadas e/ou danificadas), recomenda-se o uso de enraizador, existem muitas marcas comerciais, no entanto, mais uma vez, o da Forth tem agradado muitos orquidófilos.


Plantas reenvasadas e aramadas - Foto e procedimento: Gilvan Serafim Filho/ASSOPE.


¹Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pernambuco/UNICAP; possui curso de mestrado em ecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE e curso de especialização em Perícia e Auditoria Ambiental pela Faculdade Frassinetti do Recife/FAFIRE.


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